
O Sistema Único de Saúde (SUS) está falido e tem que ser repensado. A tese é do advogado especialista em gestão Índio da Costa, que acaba de lançar o livro "SUS: A verdade que ninguém conta".
Em entrevista ao Podcast do Correio, o autor deixa claro que não defende o fim do sistema que, para ele, "é extraordinário" e atende ao requisito constitucional da universalização da saúde. Ao contrário, ele acredita ser necessário investir mais na saúde pública. "Eu não conheço nenhum sistema melhor do que o SUS, só que ele exige recursos. Se não colocarmos recursos, do jeito que está hoje, ele não será universal, integral e gratuito, como diz a lei. A lei diz que é dever do Estado prover saúde", defendeu, no diálogo com os jornalistas Denise Rothenburg e Ronayre Nunes.
Ele contou que foi por ser "um sobrevivente" após várias doenças, incluindo a covid-19, que ele decidiu escrever o livro que enaltece a universalização do atendimento às pessoas que necessitam. "A covid foi muito impactante para mim, porque o senador Aroldo de Oliveira, que era um querido amigo, estava no quarto do lado. Eu só soube quando eu saí do hospital, que ele não aguentou, morreu. E a grande verdade é que me sensibilizou muito além da morte dele, eu ter visto todos aqueles médicos e enfermeiros, enfermeiras entrando, vestidos de astronauta para salvar a minha vida e a das outras pessoas, arriscando próprias vidas. Eu disse: 'Bom, tenho que devolver isso de alguma maneira' e aí está essa obra que é reflexo dessa história."
Índio da Costa, que abandonou a vida pública em 2018 após uma longa carreira política - incluindo a candidatura a vice-presidente na chapa com José Serra, em 2010 -, sugere que o Estado destine mais recursos para os hospitais conveniados, chamados SUS privado - como as Santas Casas e a Beneficência Portuguesa. "O governo, hoje, coloca R$ 168 bilhões no SUS privado. O valor é muito alto, ninguém discute. Mas, embora o valor seja muito alto, na hora que você vê individualmente por procedimento, um atendimento médico, que é uma consulta por R$ 10, uma consulta com médico especialista, R$ 11, uma aminocentese, que custa R$ 1.000 no setor privado, o SUS paga R$ 2,20. Essa é uma conta que não fecha", apontou, citando que esse sistema acaba por endividar as instituições conveniadas.
Se de um lado, Índio da Costa defende a elevação dos repasses, é preciso, de outro, conscientizar os usuários quanto ao desperdício do dinheiro público. "Existe o cidadão que passa por consultas sucessivas, recebe pedidos de exames e não os realiza. Ele acaba retornando ao médico repetidas vezes apenas para revalidar pedidos vencidos. Em dado momento, ele percebe que seu estado de saúde piorou e decide que precisa, de fato, fazer os exames. Ele consulta o médico, solicita os exames, realiza-os, mas posteriormente não faz o tratamento recomendado e agrava a doença. Infelizmente, isso é muito mais comum do que se imagina", ressaltou.
*Estagiário sob a supervisão de Edla Lula

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