Brasil-EUA

Tarifaço: governo Lula envia observadora para audiência pública que ouvirá Flávio

Itamaraty decidiu não enviar representantes diretos para as sessões e mantém estratégia de negociar bilateralmente um acordo para evitar a implementação de tarifa de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros

A enviada do governo brasileiro estará presente apenas para coletar informações e repassar aos membros do Planalto, não devendo se posicionar durante as auscultas -  (crédito: Ricardo Stuckert / PR)
A enviada do governo brasileiro estará presente apenas para coletar informações e repassar aos membros do Planalto, não devendo se posicionar durante as auscultas - (crédito: Ricardo Stuckert / PR)

De última hora, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu enviar uma observadora para acompanhar o debate que o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) fará entre esta segunda (6/7) e terça-feira (7) com atores da política internacional e porta-vozes de alguns setores comerciais do Brasil. As audiências tratarão sobre a implementação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei Americana de Comércio, de 1973. Os representantes serão enviados pela embaixada na capital norte-americana, mas não estarão inscritos para discursar.

O objetivo, segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), é tomar ciência sobre o conteúdo das audiências. O Itamaraty decidiu não participar do encontro, já que o governo brasileiro já mantém negociações por meio de canais diretos com Washington e com o próprio secretário do USTR, Jamieson Greer, que cuida do assunto na administração do presidente Donald Trump.

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Entre os 85 participantes da audiência convocada pelo USTR, estão entidades do setor produtivo brasileiro, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), além de associações que representam segmentos específicos, como café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, máquinas, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.

Também participa das sessões o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, inclusive, criticou recentemente a ausência do governo brasileiro nas audiências. Ele é tido pela gestão petista como o pivô das novas tarifas impostas pela gestão norte-americana e que entrarão em vigor no próximo dia 15 de julho.

No X, o senador afirmou que Lula não moveria “uma palha” para evitar a taxação sobre os produtos brasileiros. “E a razão é muito simples: ele acredita que isso pode beneficiá-lo nas urnas em outubro, mesmo que isso custe quebrar as empresas brasileiras”, alegou o pré-candidato.

Desde a publicação do documento que sugere a aplicação das novas alíquotas pelo USTR, representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mantêm reuniões semanais com o representante comercial dos EUA para explicar os pontos defendidos pelo governo brasileiro e tentar reverter a medida via negociação bilateral.

No entanto, ainda não há previsão de um encontro presencial entre as autoridades, ou mesmo de uma definição sobre a aplicação dessas tarifas. O Itamaraty não vê na audiência pública um canal para decisões diretas da administração Trump, mas entende que o canal serve para ouvir entes públicos envolvidos, direta ou indiretamente, na taxação. A enviada do governo brasileiro ficará apenas para coletar informações e repassar aos membros do Planalto, não devendo se posicionar durante as auscultas.

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AH
postado em 06/07/2026 14:47 / atualizado em 06/07/2026 14:47
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