
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) testaram uma estratégia alternativa à terapia hormonal convencional para a menopausa. A abordagem ativa apenas um tipo de receptor de estrogênio nas células, resultando em um efeito metabólico benéfico sem estimular o crescimento de tecidos reprodutivos, como útero e mamas.
Essa característica é importante para mulheres com predisposição genética a tumores. "É uma estratégia mais pontual. Ao agir apenas nesse receptor, conseguimos reequilibrar os efeitos metabólicos da queda do estrogênio durante a menopausa sem afetar áreas possivelmente sensíveis do organismo", explica a pesquisadora Débora Santos Rocha, primeira autora do artigo.
Leia Mais
-
Menopausa sem hormônios: 6 estratégias para desacelerar o envelhecimento
-
Reposição hormonal causou o câncer de Fátima Bernardes? Entenda
-
8 dicas para cuidar da saúde e da alimentação na menopausa
O estudo, publicado na revista "Comprehensive Physiology", foi realizado em ratas com ovários removidos para simular a menopausa. Os cientistas usaram uma droga experimental para ativar o receptor de estrogênio beta (ER?), um regulador metabólico que não está associado ao risco de tumores sensíveis a hormônios.
A queda de estrogênio na menopausa desorganiza o metabolismo, favorecendo o acúmulo de gordura visceral, a resistência à insulina e o risco cardiovascular. A terapia de reposição hormonal tradicional, ao ativar todos os receptores, pode acelerar o crescimento de células tumorais em mulheres predispostas.
Resultados da nova abordagem
A ativação isolada do ER? promoveu uma reprogramação metabólica profunda no estudo. Os principais benefícios observados foram:
- A glicemia de jejum foi restaurada;
- O perfil lipídico normalizou;
- O tamanho das células de gordura reduziu;
- As ilhotas pancreáticas, que produzem insulina, recuperaram sua forma normal;
- O sangue voltou a apresentar níveis saudáveis de colesterol, triglicerídeos e ácidos graxos livres.
"Tudo isso sem qualquer efeito sobre o útero, o que indica a segurança da abordagem", comenta Alicia Kowaltowski, coordenadora da pesquisa.
O fígado foi um dos focos principais. Com a ativação do ER?, o órgão passou a oxidar totalmente os ácidos graxos, convertendo a gordura em CO?, o que melhora o perfil lipídico do organismo. Esse efeito de "oxidação completa" foi um achado importante do trabalho.
Embora o tratamento não tenha impedido o ganho de peso, melhorou a qualidade do metabolismo e o funcionamento do fígado, pâncreas e sangue. "Se pudermos modular vias específicas, abrimos caminho para tratamentos mais personalizados", ressalta Kowaltowski.
As investigações continuam em um novo projeto, agora focado na transição para a menopausa (perimenopausa). Em vez da remoção abrupta dos ovários, o novo estudo usará um modelo de queda gradual da reserva ovariana, mais próximo da realidade humana. "Queremos entender essa transição e identificar novos alvos terapêuticos que possam servir como alternativas", conclui Rocha.
*Com informações da Agência Fapesp
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana

Ciência e Saúde
Ciência e Saúde
Ciência e Saúde