
Imagine assistir a um vídeo em que um candidato aparece fazendo ou dizendo algo que nunca aconteceu. Com o avanço da inteligência artificial (IA), produzir esse tipo de conteúdo ficou mais fácil, e identificar a falsificação também virou um desafio. Para tentar reduzir esse problema nas eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Google lançaram nesta quarta-feira (26/8) uma parceria voltada à proteção da imagem dos candidatos no YouTube.
A iniciativa incentiva os concorrentes a cargos públicos a cadastrarem seus rostos na ferramenta Likeness ID, desenvolvida pelo YouTube. O recurso procura vídeos que reproduzam a aparência da pessoa cadastrada, inclusive aqueles criados ou alterados por IA.
Na prática, o candidato faz o cadastro pelo YouTube Studio, envia um documento oficial e passa por uma verificação com selfie em foto e vídeo. Depois que a plataforma processa as informações, o sistema começa a procurar conteúdos que possam utilizar aquela imagem.
Se encontrar uma possível reprodução, o YouTube envia um aviso ao usuário. Ele então pode assistir ao vídeo e decidir se houve uso indevido da sua imagem. Caso queira contestar o conteúdo, pode pedir a remoção. A plataforma analisa a solicitação com base nas próprias regras de privacidade e pode retirar o material do ar se identificar uma violação.
O cadastro não produz resultados imediatamente: o processamento da identificação pode levar até dois dias.
Ferramenta não substitui fiscalização
A tecnologia chega às eleições como uma camada adicional de proteção, mas não funciona como um detector automático. Além disso, a identificação de um vídeo semelhante não significa, por si só, que o conteúdo seja irregular. A análise do material continua sendo necessária.
Para o presidente do TSE, o ministro Kassio Nunes Marques, a medida ajuda a antecipar problemas que podem ganhar força com o uso de IA generativa durante a campanha. Ele também defendeu a cooperação entre a Justiça Eleitoral e as empresas de tecnologia para lidar com os novos riscos do ambiente digital.
O presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, destacou que a empresa mantém parceria com a Justiça Eleitoral desde 2014. Segundo ele, mecanismos de proteção contra o uso indevido de imagens são especialmente importantes durante as eleições, quando candidatos ficam mais expostos a ataques e conteúdos enganosos.
O desafio dos conteúdos falsos
A preocupação não se limita à imagem dos candidatos. Vídeos, áudios e imagens produzidos por IA podem circular nas redes sociais e alcançar eleitores antes que alguém consiga verificar sua autenticidade.
É nesse cenário que o monitoramento ganha importância. Ao permitir que os próprios candidatos acompanhem possíveis usos de sua imagem, o YouTube cria uma forma de reação mais rápida quando um conteúdo suspeito aparece na plataforma.
Vale lembrar que a ferramenta serve apenas para conteúdos publicados no YouTube. Casos que ocorram em outras plataformas continuam sujeitos aos mecanismos de denúncia e às regras de cada serviço.

Brasil
Brasil
Brasil
Brasil